03/08/2009

A Terra é o único mundo conhecido até agora que sustenta vida que está ameaçada por um inimigo terrível: NÓS MESMOS!!!



Nós Estamos Aqui: O Pálido Ponto Azul (tradução)


A espaçonave estava bem longe de casa. Eu pensei que seria uma boa idéia, logo depois de Saturno, fazer ela dar uma ultima olhada em direção de casa.

De Saturno, a Terra apareceria muito pequena para a Voyager apanhar qualquer detalhe, nosso planeta seria apenas um ponto de luz, um "pixel" solitário, dificilmente distinguível de muitos outros pontos de luz que a Voyager avistaria: Planetas vizinhos, sóis distantes. Mas justamente por causa dessa imprecisão de nosso mundo assim revelado valeria a pena ter tal fotografia.

Já havia sido bem entendido por cientistas e filósofos da antiguidade clássica, que a Terra era um mero ponto de luz em um vasto cosmos circundante, mas ninguém jamais a tinha visto assim. Aqui estava nossa primeira chance, e talvez a nossa última nas próximas décadas.

Então, aqui está - um mosaico quadriculado estendido em cima dos planetas, e um fundo pontilhado de estrelas distantes. Por causa do reflexo da luz do sol na espaçonave, a Terra parece estar apoiada em um raio de sol. Como se houvesse alguma importância especial para esse pequeno mundo, mas é apenas um acidente de geometria e ótica. Não há nenhum sinal de humanos nessa foto. Nem nossas modificações da superfície da Terra, nem nossas maquinas, nem nós mesmos. Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismo não aparece em evidencia. Nós somos muito pequenos. Na escala dos mundos, humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal.

A Sonda Voyager 1 capturou uma imagem da Terra, à distância de mais de 6.4 bilhões de kilômetros da Terra, bem nos limites do Sistema Solar. A Terra aparece como um mero ponto (destacado em círculo azul na imagem acima).

Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada criança esperançosa, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada "superstar", cada "lider supremo", cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso em um raio de sol.



Outra imagem (acima), uma das mais belas obtidas pela Sonda Cassini, mostra novamente a Terra, mas à distância de Saturno, na sombra deste.
A Terra é o ponto à esquerda, logo depois dos anéis brilhantes de Saturno.


A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pense nas infindáveis crueldades infringidas pelos habitantes de um canto desse pixel, nos quase imperceptíveis habitantes de um outro canto, o quão frequentemente seus mal-entendidos, o quanto sua ânsia por se matarem, e o quão fervorosamente eles se odeiam. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, em sua gloria e triunfo, eles pudessem se tornar os mestres momentâneos de uma fração de um ponto. Nossas atitudes, nossa imaginaria auto-importancia, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, é desafiada por esse pálido ponto de luz.

Nosso planeta é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda essa vastidão, não ha nenhum indicio que ajuda possa vir de outro lugar para nos salvar de nos mesmos. A Terra é o único mundo conhecido até agora que sustenta vida. Não ha lugar nenhum, pelo menos no futuro próximo, no qual nossa espécie possa migrar. Visitar, talvez, se estabelecer, ainda não. Goste ou não, por enquanto, a terra é onde estamos estabelecidos.

Foi dito que a astronomia é uma experiência que traz humildade e constrói o caráter. Talvez, não haja melhor demonstração das tolices e vaidades humanas que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos... o pálido ponto azul.
(Carl Sagan)



We Are Here: The Pale Blue Dot(Texto original)

The spacecraft was a long way from home. I thought it would be a good idea, just after Saturn, to have them take one last glance homeward.

From Saturn, the Earth would appear too small for Voyager to make out any detail. Our planet would be just a point of light, a lonely pixel hardly distinguishable from the other points of light Voyager would see: nearby planets, far off suns. But precisely because of the obscurity of our world thus revealed, such a picture might be worth having.

It had been well understood by the scientists and philosophers of classical antiquity that the Earth was a mere point in a vast, encompassing cosmos -- but no one had ever seen it as such. Here was our first chance, and perhaps also our last.

So, here they are: a mosaic of squares laid down on top of the planets in a background smattering of more distant stars. Because of the reflection of sunlight off the spacecraft, the Earth seems to be sitting in a beam of light, as if there were some special significance to this small world; but it's just an accident of geometry and optics. There is no sign of humans in this picture: not our reworking of the Earth's surface; not our machines; not ourselves. From this vantage point, our obsession with nationalism is nowhere in evidence. We are too small. On the scale of worlds, humans are inconsequential: a thin film of life on an obscure and solitary lump of rock and metal.

Consider again that dot. That's here. That's home. That's us. On it, everyone you love, everyone you know, everyone you've ever heard of, every human being who ever was lived out their lives. The aggregate of all our joys and sufferings; thousands of confident religions, ideologies and economic doctrines; every hunter and forager; every hero and coward; every creator and destroyer of civilizations; every king and peasant, every young couple in love; every mother and father; every hopeful child; every inventor and explorer; every teacher of morals; every corrupt politician; every supreme leader; every superstar; every saint and sinner in the history of our species, lived there -- on a mote of dust suspended in a sunbeam.

The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner of this pixel on the scarcely distinguishable inhabitants of some other corner. How frequent their misunderstandings; how eager they are to kill one another; how fervent their hatreds. Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that in glory and triumph they could become the momentary masters of a fraction of a dot. Our posturings, our imagined self-importance, the delusion that we have some privileged position in the universe, are challenged by this point of pale light.

Our planet is a lonely speck in the great enveloping cosmic dark. In our obscurity -- in all this vastness -- there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ourselves. Like it or not, for the moment, the Earth is where we make our stand.

It has been said that astronomy is a humbling and character-building experience. There is perhaps no better demonstration of the folly of human conceits than this distant image of our tiny world. It underscores our responsibility to deal more kindly with one another, and to preserve and cherish the only home we've ever known: the pale blue dot.

Erro médico:Veja o que diz o Dr.Atul Gawande professor catedrático de cirurgia em Harvard!!!

Atul Gawande é médico-cirurgião, um dos melhores do mundo, é atualmente professor catedrático de Cirurgia em Harvard.

A propósito deste último livro(veja acima), deu uma entrevista à revista Sábado em 25 de Junho de 2009 com o titulo“Se os médicos lavarem as mãos evitam milhões de mortes”, pag 36-(http://www.sabado.pt
)da qual abaixo segue alguns trechos.


Porque é que os médicos continuam a ser, muitas vezes vistos como deuses?
Tentamos ignorar o erro porque pensamos que, se o reconhecermos, as pessoas já não acreditam em nós. Mas, hoje, os doentes têm consciência que os médicos erram. Não somos perfeitos, mas procuramos essa perfeição. Daí que o nome do meu livro seja Better e não Best, porque é isso mesmo que podemos ser: melhores.

Qual foi o seu pior erro?
Foram tantos! Faço 300 a 400 operações por ano e as complicações atingem os 3 ou 4% o que significa que prejudico gravemente 10 a 12 pessoas em vez de as ajudar. Quando olho para trás, vejo que, em pelo menos metade dos casos, podia ter feito algo de diferente. Tento sempre tirar alguma conclusão de forma a que na próxima vez não prejudique ninguém.

Os erros deviam ser sempre punidos?
Não. Somos responsáveis pelos erros, mas também por remediar a situação. O problema dos erros não é dos maus médicos: o pior é que eles acontecem aos bons.

Em que sentido?
Qualquer cirurgião de renome falha. Vou dar um exemplo. Há dois meses publiquei um estudo, em conjunto com a Organização Mundial de Saúde, sobre uma lista de procedimentos a serem seguidos na sala de operações para evitar infecções e outras complicações. A lista, aparentemente simples, tem pontos como dar sempre um antibiótico ao paciente antes do primeiro corte, certificarmo-nos de que toda a gente dentro da sala de operações sabe o nome da restante da equipe para que não haja qualquer complicação na hora de se chamar a pessoa que se precisa, etc. Usamos essa lista em vários hospitais e reduzimos as mortes em cerca de um terço. Os cirurgiões têm de assumir que são falíveis e socorrem-se de pequenas técnicas que os ajudam.

Interfere no trabalho de outros médicos?
A toda a hora! Se vejo um colega fazer um mau diagnóstico já com uma cirurgia marcada não vou dizer “você é um idiota”! Olha o que você ira fazer!”, porque sei que posso ser eu o próximo idiota! O que faço é explicar que acho que deixamos passar alguma coisa e tentar resolver os problemas.”

Abaixo segue um trabalho recente publicado pelo Dr.Gawande sobre o assunto acima que vale a pena tomar conhecimento:

ABSTRACT

Background Surgery has become an integral part of global health care, with an estimated 234 million operations performed yearly. Surgical complications are common and often preventable. We hypothesized that a program to implement a 19-item surgical safety checklist designed to improve team communication and consistency of care would reduce complications and deaths associated with surgery.

Methods Between October 2007 and September 2008, eight hospitals in eight cities (Toronto, Canada; New Delhi, India; Amman, Jordan; Auckland, New Zealand; Manila, Philippines; Ifakara, Tanzania; London, England; and Seattle, WA) representing a variety of economic circumstances and diverse populations of patients participated in the World Health Organization's Safe Surgery Saves Lives program. We prospectively collected data on clinical processes and outcomes from 3733 consecutively enrolled patients 16 years of age or older who were undergoing noncardiac surgery. We subsequently collected data on 3955 consecutively enrolled patients after the introduction of the Surgical Safety Checklist. The primary end point was the rate of complications, including death, during hospitalization within the first 30 days after the operation.

Results The rate of death was 1.5% before the checklist was introduced and declined to 0.8% afterward (P=0.003). Inpatient complications occurred in 11.0% of patients at baseline and in 7.0% after introduction of the checklist (P<>

Conclusions Implementation of the checklist was associated with concomitant reductions in the rates of death and complications among patients at least 16 years of age who were undergoing noncardiac surgery in a diverse group of hospitals


Outro trabalho importante sobre o tema do Dr.Gawande foi publicado em conjunto com Organização Mundial da Saúde.

Link do trabalho completo:

http://www.gawande.com/documents/WHOGuidelinesforSafeSurgery.pdf


Receita para colapso de nossa sociedade!!!

Tomo emprestado o título do romance do russo Dostoiévski, para comentar a multiplicação dos crimes nesta cultura torta, desde os pequenos "crimes" cotidianos – falta de respeito entre pais e filhos, maus-tratos a empregados, comportamento impensável de políticos e líderes, descuido com nossa saúde, segurança, educação – até os verdadeiros crimes: roubos, assaltos, assassinatos, tão incrivelmente banalizados nesta sociedade enferma. A crise de autoridade começa em casa, quando temos medo de dar ordens e limites ou mesmo castigos aos filhos, iludidos por uma série de psicologismos falsos que pululam como receitas de revista ou programa matinal de televisão e que também invadiram parte das escolas. Crianças e adolescentes saudáveis são tratados a mamadeira e cachorro-quente por pais desorientados e receosos de exercer qualquer comando. Jovens infratores são tratados como imbecis, embora espertos, e como inocentes, mesmo que perversos estupradores, frios assassinos, traficantes e ladrões comuns. São encaminhados para os chamados centros de ressocialização, onde nada aprendem de bom, mas muito de ruim, e logo voltam às ruas para continuar seus crimes.

Estamos levando na brincadeira a questão do erro e do castigo, ou do crime e da punição. A banalização da má-educação em casa e na escola, e do crime fora delas, é espantosa e tem consequências dramáticas que hoje não conseguimos mais avaliar. Sem limites em casa e sem punição de crimes fora dela, nada vai melhorar. Antes de mais nada, é dever mudar as leis – e não é possível que não se possa mudar uma lei, duas leis, muitas leis. Hoje, logo, agora! O ensino nas últimas décadas foi piorando, em parte pelo desinteresse dos governos e pelo péssimo incentivo aos professores, que ganham menos do que uma empregada doméstica, em parte como resultado de "diretrizes de ensino" que tornaram tudo confuso, experimental, com alunos servindo de cobaias, professores lotados de teorias (que também não funcionam). Além disso, aqui e ali grupos de ditos mestres passaram a se interessar mais por politicagem e ideologia do que pelo bem dos alunos e da própria classe. Não admira que em alguns lugares o respeito tenha sumido, os alunos considerem com desdém ou indignação a figura do antigo mestre e ainda por cima vivam, em muitas famílias, a dor da falta de pais: em lugar deles, como disse um jovem psicólogo, eles têm em casa um gatão e uma gatinha. Dispensam-se comentários.

Autoridade, onde existe, é considerada atrasada, antiquada e chata. Se nas famílias e escolas isso é um problema, na sociedade, com nossas leis falhas, sem rigor nem coerência, isso se torna uma tragédia. Não me falem em policiais corruptos, pois a maioria imensa deles é honrada, ganha vergonhosamente pouco, arrisca e perde a vida, e pouco ligamos para isso. Eu penso em leis ruins e em prisões lotadas de gente em condições animalescas. Nesta nossa cultura do absurdo, crimes pequenos levam seus autores a passar anos num desses lixões de gente chamados cadeias (muitas vezes sem sequer ter havido ainda julgamento e condenação), enquanto bandidos perigosos entram por uma porta de cadeia e saem pela outra, para voltar a cometer seus crimes, ou gozam na cadeia de um conforto que nem avaliamos.

Precisamos de punições justas, autoridade vigilante, uma reforma geral das leis para impedir perversidade ou leniência, jovens criminosos julgados como criminosos, não como crianças malcriadas. Ensino, educação e justiça tornaram-se tão ruins, tudo isso agravado pelo delírio das drogas fomentado por traficantes ou por irresponsáveis que as usam como diversão ou alívio momentâneo, que passamos a aceitar tudo como normal: "É assim mesmo". Muito crime, pouco castigo, castigo excessivo ou brando demais, leis antiquadas ou insuficientes, e chegamos aonde chegamos: os cidadãos reféns dentro de casa ou ratos assustados nas ruas, a bandidagem no controle; pais com medo dos filhos, professores insultados pela meninada sem educação. Seria de rir, se não fosse de chorar. (Lya Luft )

Explicar a mecânica quântica ao público em geral em 30 segundos!!!

É evidente que a maior parte dos físicos que utilizam no seu trabalho a matemática desta teoria convincente e extremamente bem-sucedida, quer seja em física molecular, atómica, nuclear ou de partículas, quer seja na eletrónica, na química ou nas novas e estimulantes áreas da ótica quântica ou da nanotecnologia (e a lista continua), discordaria desta afirmação. Porque a verdade é que a mecânica quântica, a teoria que tão bem descreve o mundo microscópico, é muito bem compreendida. Não deixa, porém, de ser igualmente verdade que as ideias que lhe estão subjacentes são tão intrigantes e tão pouco intuitivas como o eram no início do século passado, quando a teoria foi desenvolvida. Um dos seus criadores, o físico dinamarquês Niels Bohr, chegou mesmo a dizer que alguém que não fique perturbado com a mecânica quântica claramente não a compreendeu. Por conseguinte, tentar explicar a mecânica quântica ao público em geral em 30 segundos parece uma tarefa impossível. Ora, foi isso precisamente que há bem pouco tempo me pediram para fazer. Na semana passada, participei num evento (aquilo a que se chama um "café scientifique") num festival de ciência em Brighton, na costa sul de Inglaterra. O título deste agradável encontro ao fim do dia era "Teorias em 30 segundos" e consistia num painel de "especialistas", incluindo este vosso amigo, que eram convidados a explicar a todos os presentes diversas teorias científicas, no mínimo de tempo possível.

Permitam-me que vos descreva a cena: o local era um bar que normalmente apresenta espetáculos de comédia, em que o público come e bebe numa atmosfera descontraída, enquanto assiste à récita. Na noite em que lá estive, a audiência consistia numa centena de pessoas com grande interesse pela ciência, a quem tinha sido dada uma longuíssima lista de teorias científicas que iam do Big Bang à evolução e à genética, passando por algumas ideias bastante obscuras ou caídas em descrédito, de que muitos poderiam ter ouvido falar, mas que seguramente não compreendiam. Eu era o físico do painel e nessa qualidade coube-me responder a uma vasta série de questões, sem outra preparação para além dos poucos segundos que levava a dirigir-me ao microfone, estruturar o meu raciocínio e começar, a partir do momento em que alguém de entre o público bradava "Quero que o Jim explique..."!

Enquanto as perguntas se situavam pela teoria das cordas e do universo em estado estacionário ou até mesmo pela possibilidade de vida noutros planetas, a coisa foi relativamente fácil, mas quando chegou a vez da mecânica quântica, percebi que tinha de ser mesmo muito rápido.

Por onde é que haveria de começar? Até onde é que poderia ir? Seria capaz de transmitir as ideias essenciais?

Bom, fiz o meu melhor. Comecei com o Planck dizendo que a luz é emitida em pacotes, depois passei para o Bohr que queria aplicar a ideia para explicar os átomos. Ele e outros descobriram que a teoria fazia previsões muito estranhas, como a de que os átomos estariam em dois lugares ao mesmo tempo. Referi que, embora ainda hoje a teoria fosse intrigante, estava contudo subjacente a uma grande parte da moderna ciência e tecnologia.(Jim Al-Khalili é professor de Física na Universidade de Surrey)